Acho bruxaria brega, mas aqui estou
Eu poderia dedicar várias postagens do blog só para falar da quantidade de trauma religioso que esse corpo e mente carrega e como afetou de formas até mesmo irreversíveis a minha psique em diversos aspectos por conta disso.
Mas sinceramente, não estou afim de chutar bicho morto, pelo menos não por enquanto. Quem sabe em outro momento.
O que o leitor precisa saber, é que religião por muito tempo para mim era um gatilho em si, qualquer menção de espiritualidade era o possível para me deixar em alerta, ansioso e desconfiado. Eu queria ficar afastado o mais longe possível de qualquer vivência da fé, por me causar realmente sensações muito ruins que iam além do meu controle.
Nunca fui ateu entretanto, simplesmente por que a maioria dos ateístas que conheci no caminho simplesmente não tinham conexão mesmo com o espiritual e pronto (o estereótipo do ateu chato não passa de um estereótipo mesmo, pelo que vivenciei). Muitos deles sequer tem grandes traumas com religiosidade, é simplesmente um "estado de espirito" ou ausência dele (?) por assim dizer e nisso, respeito, mas não me identificava exatamente para mim.
Fiquei muito tempo então no agnosticismo, por segurar ainda muitas crendices e apesar de ter uma mente muito cética a absolutamente tudo, havia algo dentro de mim, que eu reconhecia não ser a ansiedade do trauma, mas a busca por canalizar esse lado. Tentei voltar a algumas raízes como o catolicismo de minha família (que não foi o que causou os traumas, já deixo o contexto), mas apesar de me segurar em alguns conceitos dessa religião, não era o que exatamente encaixava perfeitamente.
Eu não lembro exatamente quando eu vi um sigilo pela primeira vez. Acho que em algum programa sensacionalista de tv ou post de internet. Mas apesar de não conseguir resgatar bem essa memória, o conceito ficou na minha mente e o oculto, parecia me chamar.
Esqueci por um tempo isso, mas vez ou outra isso voltava em mim. Cética como era e ainda por cima, achando meio brega e tendo algumas críticas as religiões mais "New wave" da vida, tentei enterrar isso, o trauma de antes também tendo seu papel a desempenhar junto.
Contudo, coisas aconteceram em minha vida, que não entrarei em grandes detalhes, mas digo que "caiu em minhas mãos" alguns livros sobre ocultismo no geral. Fiquei interessada, a principio com a desculpa que era levemente conhecimento teórico para quem sabe fazer umas histórias legais com toda simbologia, mas, no final, cai como um pato.
Fiquei os últimos meses apenas estudando em silêncio, mas sem realmente agir em nada além das sessões de gnose. Temeroso ou apenas doida por uma perfeição que não existe? Fica aí a questão. Mas decidi essa semana por fim finalmente acender minha primeira vela e lançar meu primeiro sigilo.
E sinceramente, a sensação não é ruim.
Não, essa não é uma história surpreendente sobre o poder maravilhoso e quase orgásmico da fé e da magia, nem de grandes revelações e experiências com o oculto. É ordinário na verdade, alguém que aprendeu gnose/meditação para acalmar a mente e iniciou literalmente hoje alguns ritos em busca desse tal sentido, se é que ele existe, pois "Nada é verdade, tudo é permitido" (não, isso não é sobre um joguinho de ação). Mas que se sente bem em alguns momentos em meio as meditações, estudos e ritos simples, sem deixar de questionar e ainda assim, gostar de procurar as respostas e ter uma filosofia e entidade (s) a que se acreditar.
Fez sentido? Sei lá também tô nesse caminho, tenham paciência comigo.
Ainda estou engatinhando nessa espiritualidade, não tendo me agarrado exatamente em um "ponto fixo" no oculto ainda, mas digo que essa casinha que antes me parecia tão estranha e até mesmo assustadora, me é agora um tanto confortável de viver.
Provavelmente voltarei a falar do assunto aqui ainda quando tiver repertório, mas por enquanto, me sinto só um jovem mago no seu primeiro caderno de feitiço (na realidade, só alguém com uma vela, papel e caneta). Quem for do oculto também, seja mais experiente ou iniciante como eu, aceito conversar sobre para trocar experiências. É isso :)